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22/04/2001
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Governo príbe a produção de Merthiolate
Produtos a base de mercúrio usados para limpar ferimentos, como o mercurocromo e o tiomersal (princípio ativo da marca Merthiolate), estão proibidos de serem produzidos ou vendidos no país a partir de hoje.
Produtos a base de mercúrio usados para limpar ferimentos, como o mercurocromo e o tiomersal (princípio ativo da marca Merthiolate), estão proibidos de serem produzidos ou vendidos no país a partir de hoje. Uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que será publicada hoje, suspende a venda dos produtos no país. As farmácias e os laboratórios terão 60 dias para retirar os medicamentos do mercado. A intenção da Anvisa é diminuir a oferta de remédios que contenham o mercúrio, um metal pesado, na fórmula. Em doses altas, o metal pode provocar intoxicação e outros problemas de saúde. Os anti-sépticos usados em machucados têm doses muito pequenas de mercúrio e, sozinhos, não fazem mal à saúde. "O problema é a soma de fontes do metal à qual a pessoa está sujeita", afirmou o presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina. "Queremos diminuir ao máximo as fontes possíveis de mercúrio", disse. O mercurocromo e o tiomersal não são mais usados em hospitais desde 1991. Segundo Vecina, a medida foi adotada porque em atendimentos hospitalares normalmente a superfície a ser limpa é grande, o que exige dose maior de mercurocromo, podendo aumentar a absorção do metal. A Anvisa não sabe quantos produtos a base de mercúrio são vendidos hoje porque não é necessário o registro na agência. Nos guias de medicamento, aparecem pelo menos 15 produtos contendo mercuriais como tiomersal ou timerosal. "A suspensão da venda não é uma notícia muito preocupante", afirmou o ministro da Saúde, José Serra. "Um ferimento doméstico pode ser melhor tratado com água e sabão." Segundo o ministro, também existem outros produtos que podem substituir com vantagem a limpeza de ferimentos domésticos. Um exemplo são os anti-sépticos feitos com iodo. A decisão de proibir os medicamentos a base de mercúrio ocorre depois de o jornalista Boris Casoy levantar, nos últimos dias, o problema no "Jornal da Record". A resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária será publicada hoje no "Diário Oficial" da União. As empresas que não retirarem seus produtos do mercado nos próximos 60 dias serão autuadas e poderão ser multadas. Os valores das multas variam de R$ 2.000 a R$ 50 mil, dependendo do tipo de infração. Uma portaria do Ministério da Saúde, que foi publicada em 1998, já tratava do uso de anti-sépticos e esterilizantes. Segundo a medida, não era recomendada a utilização de fórmulas contendo acetona, éter, clorofôrmio e mercuriais orgânicos, como tiomersal, com a finalidade de anti-séptico. A portaria 2.616 do ministério também estabelece normas para o controle de infecções hospitalares. Outro lado O laboratório Eli Lilly, que produz o Merthiolate, divulgou nota ontem à noite informando que cumprirá o "texto da resolução". "Continuamos a assegurar a eficácia e a segurança da atual fórmula do Merthiolate e estaremos adequando a mesma às novas exigências da Anvisa, como já anteriormente sugerido pela própria Eli Lilly." Segundo a nota do laboratório, o "Merthiolate continuará a existir no mercado, com sua fórmula modificada". Nos EUA, os mercuriais foram retirados do mercado pelo governo em 1998. Segundo a Lilly norte-americana, a empresa já tinha decidido em 1991, "por questões puramente mercadológicas, retirar o produto daquele mercado".
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